[debian-rj] Máquinas da Mega-Sena
Allan Maio
allanmaio em gmail.com
Terça Junho 27 15:53:08 BRT 2006
Máquinas da Mega-Sena
Nós só vemos a ponta do iceberg de um grande processo tecnológico quando
vamos, tranqüilamente, a uma casa lotérica e preenchemos um volante da
Mega-Sena ou da Quina. Por trás dessa simples aposta, gira um universo
gigantesco de tecnologia espalhado por todo o país — mais especificamente,
em mais de 3.600 municípios dos 5.500 que o Brasil tem.
Estamos falando de 25 mil computadores (chamados TFLs, ou terminais
financeiros lotéricos) instalados em nove mil casas lotéricas. Somente no
ano passado, esses terminais geraram 3,3 bilhões de movimentações, entre
apostas nas loterias diversas e outros serviços (pagamentos de contas,
recargas de celular etc). Aproximadamente 2,2 bilhões dessas movimentação
eram referentes a apostas. O recorde num único dia foi de 20 milhões de
transações.
E agora a Caixa vai tirar do controle da Gtech todo esse universo de bits e
bytes e assumir tudo sozinha, como manda o figurino de segurança no mundo
bancário da TI. Aliás, desde 2003 isso está sendo planejado. A
vice-presidente de tecnologia do banco, Clarice Coppetti, comanda um
processo mastodôntico de reformulação tanto do processamento geral, interno,
dos serviços, quanto da troca de máquinas nas próprias casas lotéricas.
*Novo sistema é baseado na distribuição Debian do Linux*
Para o usuário, não vai mudar muita coisa. Vamos continuar fazendo
sossegados nossa fezinha. Para os operadores da casa lotérica, no entanto,
tudo mudou. O novo terminal bolado pela Caixa é "muderníssimo", com uma tela
baseada no toque em botões virtuais. É muito mole operar: de um lado, botões
designando cada tipo de pagamento e serviços diversos; de outro botões para
as loterias. Basta ao operador tocar em um, digitar os números/opções feitas
pelo apostador e mandar registrar. Simples assim. Se for uma teimosinha,
então, a máquina tem um leitor prontinho para registrá-la em segundos.
Aliás, por falar em segundos, o tempo de operação de uma aposta ou transação
deverá cair pela metade (de oito para quatro segundos, em média).
E tudo isso, explica Clarice, movido a duas coisas: uma xícara e um pingüim.
Isto é, a linguagem de programação Java e o sistema operacional de
código-fonte aberto Linux.
— Todas as máquinas funcionam com Linux embutido, numa distribuição Debian
que a própria equipe de tecnologia da Caixa personalizou — conta, orgulhosa,
Clarice. — E decidimos trabalhar com o Java por ser uma plataforma robusta,
padrão e facilmente portável, ainda mais que vamos trabalhar em rede usando
o protocolo TCP/IP, o da internet. Com todas as medidas de segurança
implementadas. Com criptografia, por exemplo.
O banco não poupou esforços. Só na parte de loterias, além de licitações
para o desenvolvimento das soluções, a Caixa gastou sozinha R$ 100 milhões.
Não é para menos. O sistema arrecada bilhões de reais todo ano. Só no ano
passado, foram R$ 4,3 bilhões arrecadados com as loterias (boa parte
repassada a Ministério dos Esportes, INSS, fundos do governo para a cultura
e construção de penitenciárias, Comitê Olímpico Brasileiro e um longo etc) e
R$ 90 bilhões com os outros serviços. E só a migração da base histórica de
tecnologia da Caixa consumiu quase dois terabytes.
*Vinte e sete mil pessoas para treinar nas lotéricas*
Até agora já foram instaladas dez mil máquinas em 3.616 casas lotéricas no
país. Para trocar as 25 mil máquinas de todas as nove mil lotéricas, vai
demorar um pouquinho. O prazo termina no dia 14 de agosto.
— São 27 mil pessoas para treinar, e nem sempre a aceitação da troca é
imediata. Houve operadores tocando a tela touchscreen com a caneta, por medo
de sujá-la com os dedos — conta Clarice. — Mas vamos cumprir o prazo.
Resta saber se o novo sistema dará mais sorte ao bolão da redação do GLOBO,
que nunca acerta os números...
Fonte: Jornal O Globo
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