Re: [debian-rj] Máquinas da Mega-Sena
Victor Hogemann
victor.hogemann em gmail.com
Terça Junho 27 15:58:11 BRT 2006
Muito legal ver duas tecnologias que eu gosto, Debian e Java, sendo
utilizadas juntas num projeto de missão-critica!
Só falta agora a Sun terminar de mudar o licenciamento do Java para OpenSource!
2006/6/27, Allan Maio <allanmaio em gmail.com>:
> Máquinas da Mega-Sena
>
>
> Nós só vemos a ponta do iceberg de um grande processo tecnológico quando
> vamos, tranqüilamente, a uma casa lotérica e preenchemos um volante da
> Mega-Sena ou da Quina. Por trás dessa simples aposta, gira um universo
> gigantesco de tecnologia espalhado por todo o país — mais especificamente,
> em mais de 3.600 municípios dos 5.500 que o Brasil tem.
>
> Estamos falando de 25 mil computadores (chamados TFLs, ou terminais
> financeiros lotéricos) instalados em nove mil casas lotéricas. Somente no
> ano passado, esses terminais geraram 3,3 bilhões de movimentações, entre
> apostas nas loterias diversas e outros serviços (pagamentos de contas,
> recargas de celular etc). Aproximadamente 2,2 bilhões dessas movimentação
> eram referentes a apostas. O recorde num único dia foi de 20 milhões de
> transações.
>
> E agora a Caixa vai tirar do controle da Gtech todo esse universo de bits e
> bytes e assumir tudo sozinha, como manda o figurino de segurança no mundo
> bancário da TI. Aliás, desde 2003 isso está sendo planejado. A
> vice-presidente de tecnologia do banco, Clarice Coppetti, comanda um
> processo mastodôntico de reformulação tanto do processamento geral, interno,
> dos serviços, quanto da troca de máquinas nas próprias casas lotéricas.
>
> *Novo sistema é baseado na distribuição Debian do Linux*
>
> Para o usuário, não vai mudar muita coisa. Vamos continuar fazendo
> sossegados nossa fezinha. Para os operadores da casa lotérica, no entanto,
> tudo mudou. O novo terminal bolado pela Caixa é "muderníssimo", com uma tela
> baseada no toque em botões virtuais. É muito mole operar: de um lado, botões
> designando cada tipo de pagamento e serviços diversos; de outro botões para
> as loterias. Basta ao operador tocar em um, digitar os números/opções feitas
> pelo apostador e mandar registrar. Simples assim. Se for uma teimosinha,
> então, a máquina tem um leitor prontinho para registrá-la em segundos.
> Aliás, por falar em segundos, o tempo de operação de uma aposta ou transação
> deverá cair pela metade (de oito para quatro segundos, em média).
>
> E tudo isso, explica Clarice, movido a duas coisas: uma xícara e um pingüim.
> Isto é, a linguagem de programação Java e o sistema operacional de
> código-fonte aberto Linux.
>
> — Todas as máquinas funcionam com Linux embutido, numa distribuição Debian
> que a própria equipe de tecnologia da Caixa personalizou — conta, orgulhosa,
> Clarice. — E decidimos trabalhar com o Java por ser uma plataforma robusta,
> padrão e facilmente portável, ainda mais que vamos trabalhar em rede usando
> o protocolo TCP/IP, o da internet. Com todas as medidas de segurança
> implementadas. Com criptografia, por exemplo.
>
> O banco não poupou esforços. Só na parte de loterias, além de licitações
> para o desenvolvimento das soluções, a Caixa gastou sozinha R$ 100 milhões.
> Não é para menos. O sistema arrecada bilhões de reais todo ano. Só no ano
> passado, foram R$ 4,3 bilhões arrecadados com as loterias (boa parte
> repassada a Ministério dos Esportes, INSS, fundos do governo para a cultura
> e construção de penitenciárias, Comitê Olímpico Brasileiro e um longo etc) e
> R$ 90 bilhões com os outros serviços. E só a migração da base histórica de
> tecnologia da Caixa consumiu quase dois terabytes.
>
> *Vinte e sete mil pessoas para treinar nas lotéricas*
>
> Até agora já foram instaladas dez mil máquinas em 3.616 casas lotéricas no
> país. Para trocar as 25 mil máquinas de todas as nove mil lotéricas, vai
> demorar um pouquinho. O prazo termina no dia 14 de agosto.
>
> — São 27 mil pessoas para treinar, e nem sempre a aceitação da troca é
> imediata. Houve operadores tocando a tela touchscreen com a caneta, por medo
> de sujá-la com os dedos — conta Clarice. — Mas vamos cumprir o prazo.
>
> Resta saber se o novo sistema dará mais sorte ao bolão da redação do GLOBO,
> que nunca acerta os números...
> Fonte: Jornal O Globo
>
>
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