[debian-rj] Re: Digest debian-rj, volume 45, assunto 25

Gustavo Franco stratus em debian.org
Segunda Julho 2 12:55:57 BRT 2007


On 7/1/07, Victor Hogemann <victor.hogemann em gmail.com> wrote:
> Aff...
>
> Os problemas do Debian com o Ubuntu são da época em que o Sarge ainda era
> Testing. Então, grande parte disso era reflexo dos problemas que a
> comunidade de desenvolvedores do Debian estava passando na época.

Na verdade o Ubuntu se aproveitou do projeto utopia e do novo
instalador do Debian (d-i) que não havia sido lancado na época e
lancaram o Warty. Eu estava presente na debconf4, em Porto Alegre.
Diz-se até hoje que foi uma das melhores debconfs, pois de lá saiu a
alioth (alioth.debian.org), mas de lá também o Ubuntu tomou corpo. O
sarge atrasou um pouco mais, o instalador tinha que estar pronto e
precisávamos corrigir todos os bugs críticos. O Ubuntu em 6 meses fez
a cola necessária para i386 e powerpc, focando mais em entregar a
primeira solucao decente para hotplug em uma distro Linux. Era o que o
Debian tinha na manga para o sarge, que já nasceu obsoleto nesse
aspecto (para desktops), porém, bom o suficiente para servidores.

> Em última instância, o Ubuntu ajuda os pacotes do Unstable migrarem pro
> Testing mais rapidamente... já que é assim que um novo release do Ubuntu é
> criado, primeiro eles estabilizam os pacotes do Unstable do Debian,
> adicionam alguns patches próprios, adicionam novos pacotes ( que
> posteriormente vão pro Unstable ), testam, e liberam o release.

Não sei de onde você tirou esse absurdo, mas vamos aos ciclos:

Debian:
unstable -> (migracao automática de pacotes sem bugs críticos) ->
testing -> (quando atingimos nossos objetivos para 'release' e 0 bugs
críticos) -> stable

Ubuntu:
merge da unstable usando MoM -> gutsy (atualmente) -> todo trabalho em
cima do gutsy -> gutsy lancado

Nota: Tudo se repete acima, com gutsy tendo outro nome.

A única forma do Ubuntu estabilizar a 'unstable' que beneficiasse
diretamente o projeto Debian seria se isto fosse feito direto para o
projeto. Eles poderiam corrigir os bugs, fazer upload para 'unstable'
(ou abrir bugs com patches) e não 'gutsy' rodar o MoM e ter tudo em
sync. Só fazendo 'uploads' direto para gutsy quando as coisas
precisassem divergir. *Não* é isto que acontece.

Claro que os desenvolvedores Debian não são santos e eu vi vários
amigos brigarem feio nas listas depois que o Warty foi lancado. Isto
afastou muita gente e dificultou a colaboracao entre os projetos como
um todo. Colaboracoes isoladas acontecem com mais frequência,
principalmente de quem trabalha no Ubuntu como voluntário. Quem é pago
para trabalhar no Ubuntu, tem metas e prazos a cumprir. Muitos não
estão nem aí mais para o Debian, pelo que aconteceu e muita gente não
viu, vários ligam para o Debian mas tem contas a pagar.

Só espero que entendam que as coisas não são tão boas como uns pintam
e nem tão ruins como outros espalham por aí. Estamos em um 'meio
termo' e poderíamos melhorar. Assim como o Ubuntu tem um gerente de
comunidade, poderiam ter um para relacoes com o projeto Debian. Alguém
que se dedicasse a fazer com que os MOTUs entendessem os benefícios de
colaborar também para o projeto Debian; e alguém que orientasse o
'core' da Canonical a como e em que horas devolver de volta ao projeto
Debian. Já que o time de 'marketing' trabalha muito bem a idéia de que
somos projetos irmãos e que o Debian é o 'upstream' do Ubuntu.

> E sim, a maioria do software disponível nos repositórios do Ubuntu é livre.
> Somente alguns drivers, como o da NVidia e ATI, e alguns softwares como
> Java5 são proprietários, ou tem uma licença restritiva... e assim o Debian
> se recusa a distribui-los.

É legal como as pessoas ignoram 'restricted' no Ubuntu. =)

> Quem fala que o Ubuntu lesa ou "rouba" o Debian está mal informado.

Concordo, mas não que você seja a pessoa mais informada para falar
sobre o assunto, me desculpe.

até,
-- stratus
http://stratusandtheswirl.blogspot.com
get debian @ http://get.debian.net/


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