Re: Tradução do DOC SoundJuicer

Pedro de Medeiros pedrovmm+gnome-l10n-br em gmail.com
Domingo Outubro 7 18:23:49 BRT 2007


Olá, Alan.

Não vou mandar uma comparação dos arquivos, como eu
costumo fazer, porque eu mudei muita coisa. Mas só algumas
observações gerais sobre algumas coisas que você deve tomar
cuidado. ;)

- "Title page" não é "título da página", mas "página de título". Assim
como "front-cover text" não é "texto frontal de capa", mas, sim,
"texto de capa frontal". Observe o que é substantivo e o que é
adjetivo nas expressões acima, e ao que eles estão se ligando
exatamente.

- "detentor de direito autoral" não é o mesmo que "detentor de
copyright", pelo menos não no direito brasileiro (
http://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_autoral ).

- "later version" não é "versão anterior", mas "versão posterior",
o que seria problemático no caso da FDL. :)

- Nomes de coisas em inglês não pedem artigo, a não ser que
o artigo faça parte do nome ("The Matrix", "The Tick",
"The Batman", etc.), mas, em português, o emprego do artigo
é diferente. E quase tudo precisa de artigo definido. Então
"MusicBrainz" e "Sound-Juicer" se transformam em
"o MusicBrainz" (o serviço) e "o Sound-Juicer" (o programa).

- Cuidado que "drive" e "driver" são coisas diferentes.

Mas umas dicas gerais que eu deixo aqui, não só para você, mas
para todos os novatos que estão pegando sua primeira ou
segunda tradução é: depois de traduzir uma "msgid" (texto
original), sempre leia completamente o "msgstr" (texto traduzido).

Pode parecer uma dica boba, mas frequentemente esquecemos
que, durante o processo de edição, estamos alterando
constantemente o texto e que mesmo pequenas mudanças em
um lugar podem requerer mudanças em muitos outros lugares
do texto para manter consistência gramatical, coerência e
paralelismo sintático. Então, releia sempre cada string de texto
principalmente para ver se ela faz sentido.

Outra questão que levanto é que tradutores com pouca
experiência tem o costume de fazer traduções muito literais,
mas uma boa tradução não é aquela que traduz "ipsis literis"
do original, mas que transmite a mensagem e seu espírito
corretamente.

É claro que muito dessa percepção vem com a experiência,
mas já podemos exercitar o bom-senso, escolhendo, por
exemplo, formas mais comuns para expressões e verbos
equivalentes em português. Com isso estaremos também
evitando o uso, por engano, de "falsos cognatos" ("falsos
amigos").

E, finalmente, depois de fazer a tradução, verifique se ela
realmente diz aquilo que o autor original quis dizer, ao invés
de se prender demais em suas palavras.

Às vezes, em traduções mais difíceis, a melhor escolha entre
ser literal ou transmitir a mensagem é um meio termo entre
as duas abordagens. Mas lembrando sempre que isso está
sujeito a qual o público alvo a que se destina o texto.

E, pra terminar, nem sempre estaremos pisando em território
desconhecido quando nos aventuramos a fazer uma nova
tradução. Às vezes as expressões que estamos procurando
já foram pensadas por outras pessoas, então, a internet é
a melhor ferramenta para verificar suas traduções. Eu, por
exemplo, verifiquei o site da FSF porque sei que lá tem links
para uma tradução para o português do GNU FDL. Mas
como eu não ia descartar o esforço que o Alan teve
traduzindo o GNU FDL para o sound-juicer, acabei apenas
usando a tradução já feita para base de comparação,
especialmente na escolha de alguns termos legais, entre
outros. Uma outra boa fonte de termos traduzidos para o
português é a wikipedia.

Outras idéias:

- Se estiver em dúvida se uma expressão já existe ou não,
procure por páginas que usam tais expressões no google,
mas use o bom senso para determinar se a página que
você encontrou pode ser considerado uma boa fonte;

- Use o priberam, um dicionário de português (de portugual,
mas já é alguma coisa): http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx


Pedro


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